As histórias são indispensáveis. Digo mesmo: insubstituíveis. Mudam ambientes, pessoas, estados de espírito e lembram-nos que houve vida antes de nós. Agora mesmo, quando recordo os meus velhinhos adotivos, o grupo que me recebeu, durante dois anos e meio, à quinta-feira, num lar perto da minha…
Chama-se Paz. É moçambicana, natural de Cabo Delgado, e carrega nos seus 38 anos a ilusão de uma idade muito mais avançada. fala como quem canta. Há na sua voz uma musicalidade que flutua no ar, desenhada por vogais abertas e por um sorriso luminoso que desafia…
**Este texto foi inspirado na canção, Feiticeira, de Luís Represas, cantada com Pablo Milanés e lançada em 1993. O Decreto das Coisas de Nada Artigo I. Fica fundado o Território do Espanto, um lugar delimitado apenas pela linha onde o horizonte toca a imaginação. O mapa deste…
Escrevo na cozinha, este inesperado atelier onde o calor tropical faz o suor correr na dobra dos joelhos e as plantas crescem com uma alegria quase insultuosa em cima do frigorífico. Valha-me a selva doméstica: falta-lhe a brisa, mas sobra-lhe o oxigénio que alimenta a minha escrita.…
Trago a cabeça a ferver, povoada por uma multidão que não respeita fronteiras. De um lado, Galegos e as sombras de Marvão, do outro, Valência de Alcântara e as hortas castelhanas. A culpa deste engarrafamento de fantasmas é do futebol. Hoje há Portugal-Espanha nos oitavos de final…
40 graus à sombra, 15h17. O letreiro luminoso da farmácia, mesmo ao lado do prédio onde habitualmente pernoitava, brilhava como um tição aceso na calçada. Marcelino piscou os olhos três vezes, tentando afastar a miragem do asfalto a derreter. Foi ali, sob o peso esmagador daquela hora,…