Viver e gostar de viver é um trabalho a tempo inteiro. Exposto a todo o tipo de erros, até os que se guardam a sete chaves. A realidade reduz as expectativas. Ainda assim, há surpresas, imprevistos, pontas soltas que permitem novos enlaces e uma linha de montagem…
Ainda escrevo cartas. Professo uma espécie de militância interior que preserva o cunho pessoal, o que é singular, o que nos distingue, a caligrafia a título de exemplo. Não tenho uma caligrafia bonita, desenganem-se. No entanto, acredito que escrever pela própria mão seja um estímulo maior que…
“Tem de haver uma grande solidão dentro dos que encontram as respostas sem a necessidade de perguntar.” A frase é de Luís Osório. Talvez seja o preço a pagar. Acredito, que até a natureza humana tem em si um mecanismo de tributação, uma espécie de imposto. Talvez seja…
A disposição das pessoas na nossa memória não se explica facilmente. Há medida que o tempo passa ajeitamos os mortos lá para dentro, na memória. Por isso, nem sempre vêm ao pensamento. Se caem da estante onde estão guardados, ou se algo os impulsiona para fora do…
As coisas como elas são. Ninguém tem o azul dos olhos da minha mãe. Os meus ensaiam esse tom, mesmo sabendo que até nisso cada uma tinha o seu. E quando me olho ao espelho, não é na cor dos olhos que a revejo, é em…
Imagino o amanhecer em Puerto Roque. Puerto Roque é uma das linhas de fronteira que divide Portugal e Espanha. Habituei-me a ver estes Pirenéus sem sentir que nos dividissem, a portugueses e espanhóis. Em terras raianas sabemos, que muitas vezes, é dentro de portas que se criam estigmas.…