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Observo. Em todas as sinaléticas encontro a palavra viver. Não há como enganar, é assim que se faz o caminho. Na maior parte do tempo a circulação é feita em modo automático, a cumprir rotinas, gestos copiados, coisas banais da razão dos dias. Abrandamos de quando em…

Deu-nos Deus um Verão continuado. Um sol que teima em lamber o horizonte, até ao último segundo. Um cheiro a seca, a terra desnutrida, tórrida, estéril. Um Verão continuado, mesmo depois do acerto da hora. Quer-se um céu com nuvens, não das estéreis mas das outras, grávidas…

Gosto do Natal em Dezembro, dos enfeites, das luzes, da árvore de Natal, do presépio. Gosto da doce contagem decrescente no Calendário do Advento. Gosto do Natal em Dezembro, do São Martinho em Novembro, do Ano Novo no primeiro dia do ano. Não gosto nada de ver…

É chegado o tempo das flores de plástico, umas mais perfeitas que outras, de todos os tipos e cores. Crisântemos, gerberas, miosótis, rosas, cravos, gladíolos, malmequeres, antúrios, margaridas, jarros, flores do campo. São muitos os que se rendem às flores de plástico. A durabilidade cumpre o propósito…

Dá-me um comprimido dessa gaveta. Dá-me dois para garantir o alívio do corpo e da cabeça. Paguei para cortar parte das costelas flutuantes para adelgaçar a cintura. Aumentei o peito, as maçãs do rosto, os lábios. Tripliquei as pestanas e pus unhas de gata, alisei  e platinei…

Quando nos enchemos de lutos e a voz fica presa na garganta, há que elevar o tórax  para que o coração bata sem freio, para que o peito tatuado de coragem, de garra, de pátria, respire. Quando nos enchemos de lutos, da dor desprende-se coragem, nascem gadanhas…