É chegado o tempo das flores de plástico, umas mais perfeitas que outras, de todos os tipos e cores. Crisântemos, gerberas, miosótis, rosas, cravos, gladíolos, malmequeres, antúrios, margaridas, jarros, flores do campo.
São muitos os que se rendem às flores de plástico. A durabilidade cumpre o propósito de prolongar o tempo, num lugar onde o tempo parou.
Florescem os jardins de pedra. Cumpre-se o ritual e os cuidadores do mármore, os jardineiros das flores de plástico, visitam a dor, regam memórias, rezam pelas almas. São os fiéis depositários da lembrança dos que partiram, são a efemeridade que perdura, enquanto houver vida, enquanto houver memória. E ninguém tem a certeza do quanto perdurará. Pode ser menos ou infinitamente mais que a durabilidade de umas flores de plástico.
N.B.