Observo.
Em todas as sinaléticas encontro a palavra viver. Não há como enganar, é assim que se faz o caminho. Na maior parte do tempo a circulação é feita em modo automático, a cumprir rotinas, gestos copiados, coisas banais da razão dos dias. Abrandamos de quando em vez, quando caímos, quando entristecemos,  quando choramos,  quando repensamos e percebemos que não há volta atrás. Retomamos o fôlego para seguir em frente. Abrandamos, quando somos alegria e felicidade.  Momentos que acrescentam, que fazem história. E quase paramos para reviver o momento e por isso nos surpreendemos porque o tempo passou rápido. É assim que vamos. É assim que se chega ao princípio e ao fim das coisas. Todas as direções, todos os cruzamentos, todos os lugares têm a mesma sinalética, viver. Tudo o mais são desistências, enganos, verbos opcionais.
Viver é uma dádiva e nem sempre o caminho é uma escolha. Momentos há em que é apenas caminho, apenas isso. E não adianta querer saber tudo. Faz parte do maior segredo, do mistério. Viver.

N.B.

**Este texto resultou de um convite feito aos leitores da página do facebook, Escreve-me Devagar, sugerindo-lhes que escolhessem uma palavra, que servisse de mote ao texto. O convite contemplava novos seguidores da página, sendo depois alargado a todos os que acompanham o blogue. A palavra Viver foi a sugestão da Rosa Maria Coelho.

 

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