Interessante esta ideia do fim das histórias e de tudo o mais que se queira considerar.  Eu, por outro lado, prefiro perseguir começos. Sou fascinada por começos. Levo tempos a idealizá-los, a dar-lhes forma, deixo-os a marinar, a ganhar cor ao sol ou a hidratar à chuva. Pelo meio, degusto bons vinhos. Se alguém me observasse, aliás, poderia cair no erro de me julgar uma “especialista em meios”. Aparentemente deixo tudo pela metade, porque volto sempre a abraçar um novo início. Mas nada é esquecido: as minhas gavetas são abertas com frequência, nem que seja para renovar o ar. Não procuro finais, esses estão garantidos. Podem até acontecer num começo.
N.B
                                                                 ** Afonso Cruz. in Paz Traz Paz.

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