Sei que compreendes o que vou dizer. Há dias em que somos apenas uma parte ínfima da nossa anatomia. Basta que doa. Somos cabeça, estômago, joelho, ombro, garganta. Basta que doa e tudo se concentra naquela parte do corpo, como se não houvesse mais nada além do desconforto. Às vezes, um simples corte numa folha de papel tem esse poder. É o dia todo, o dedo a pigarrear na sua prepotência miudinha. Maldito dedo!

Duram as horas mais que o próprio dia. O corpo cumpre o que faz falta, enquanto essa pequena parte mantém a convalescença afetuosa ou a dor tinhosa que, noite fora ou, o mais tardar, na manhã seguinte, desaparece.

Felizes os que sofrem de dores tão modestas, apesar de tudo.  A vida é um acontecimento excessivo de pequenas coisas que nem sempre aguentamos. Às grandes, às enormes – avassaladoras -, resistimos  e fazemos frente com estoicismo, sabe-se lá porquê. A cabeça muda conforme o que tem lá dentro. Dito isto, qualquer parte da anatomia humana é passível de doer, de adoecer, de se alteração.

Há uma solução simples para pequenos achaques e dores inadvertidas, fruto do tempo atmosférico, por exemplo: a distração. Designação abrangente, que me trouxe aqui.

Já me sinto muito melhor.

N.B.

 

 

 

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