Ficam sempre coisas por dizer, mesmo entre pessoas feitas de palavras, de conversas cheias de regras de elegância e códigos só nossos, em que a maledicência não provoca demora. Eram tantos os pretextos, as perguntas repetidas, a meteorologia de lá e de cá:
– Hoje já se nota o frio, filha.
– Aqui nem por isso, mãe.
E continuávamos até aos beijos no ar, até amanhã se Deus quiser.
Ficam sempre coisas por dizer, elogios aos pedaços que nada mais são que o eco da pessoa que amei por inteiro. Isso, certamente, não lhe disse em nenhuma das muitas conversas. Eram as palavras a falhar entre silêncios compostos que usávamos na perfeição. Era linda a mãe. Tinha azul nos olhos.
Elogios aos pedaços, não faltam.
N.B.

4 Comments
Adoro!!! Tanto o texto como as fotografias. As fotos são tão naturais, parece que falam. ❤
Falam sim, dizem que os meus pais estavam muito felizes. Beijinhos, Carla.
Belo tributo à memória de sua Mãe….
Obrigada, Isabel Janeira.