A capacidade de amar não consta das competências do Curriculum Vitae. Talvez devesse constar. A capacidade de amar é o melhor indicador do carácter, dos valores e da essência do ser humano. Não é proporcional à escolaridade, não se adquire numa licenciatura, mestrado ou doutoramento. Aprende-se na interação com os outros. Constrói-se em modo lento, feito de muitas revisões, de desgaste, de recomeços, num apuramento de sensibilidade e mestria.

Se este item fosse exigido nas competências do Curriculum Vitae, veríamos o mundo incrédulo, obrigado a falar uma língua desconhecida. Haveria, logo, quem inventasse uma escala e num ápice definir-se-ia um número máximo e mínimo para a intensidade de amar. Os mais reflexivos seriam tentados a fazer balanços de vida. Uns a minimizar tudo, a encontrar pouco, alguns a descobrir muito.

Penso nisto, quando ouço e vejo cuidadores informais que perante o infortúnio, continuam ao lado de quem amam, numa entrega e abnegação, num caminho difícil de observar. Reinventam-se. São verdadeiros exemplos da capacidade de amar.

Penso nisto, nos inúmeros homens e mulheres que todos os dias se desafiam diante da vulnerabilidade da vida e a opacidade da doença. Personificam a coragem e a força, a crença e o discernimento. Observá-los, é encontrar o melhor do que somos feitos.

De todas as competências o amor e o afeto são o que a todos basta, na vida e na morte.

No final, é o que basta.

N.B.

 

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