Há problemas, desilusões, coisas más que nos emagrecem e outras que nos engordam. Vá-se lá perceber a engrenagem da máquina que habitamos. Falo do que sei e especulo sobre o que não tenho a certeza. Tenho cá para mim, que tudo isto resulta de misturas em dois depósitos emocionais, o coração e o fígado. O primeiro possante, o músculo, o segundo poderoso, o grande filtro. Um bombeia, o outro destila. O primeiro ama, emociona-se, sofre, perdoa, o outro acumula, desfaz, filtra. Não funcionam um sem o outro.
Se me fosse dado escolher hesitaria entre qual deles serve melhor à argumentação, à narrativa. Imagino segredos, inverdades, coisas vãs. Imagino, o coração e o fígado, perante a verdade e somente a verdade. E nisto, dou a minha palavra e apenas essa em cada frase, dou vida a muito do que já morreu.
A anatomia é um território que desperta curiosidade. Artilhada de alarmes, dá sinal como qualquer máquina. Já se substitui peça aqui e ali. É coisa de respeito e sorte. Vejo-me a escrever sobre o coração e o fígado, uma anatomia avulsa há procura de explicações. Um exercício de confiança que não dispensa uma alimentação saudável.
N.B.
