Disseram-me, pense num lugar onde gostaria de estar. Fechei os olhos e pensei. Fui. Ouvi música, vozes, ouvi aplausos. As imagens cristalizaram e não sei voltar lá. Há sensações que não se repetem. Não se volta lá, mas o lugar imaginário é meu. Ficou-me um tempo lento, como naquelas peças de teatro com pequenos intervalos cénicos. Ajeitamo-nos na cadeira, ensaiamos uma fala com o parceiro do lado e recomeça o espetáculo. A luz do holofote apaga-se e num setor da plateia, uma letra que mal distingo, faz-me pensar na vida dos outros com interesse e curiosidade. Guardo a minha, enquanto procuro sponsors para renovar investimentos.
No Dia do Teatro enceno metáforas que não me cabe desvendar e só guardo fotografias de momentos felizes. Quanto às histórias que escrevo são feitas de vida, carne e osso, dores tortas e ataques de riso. Atos de uma só peça, eu.
N.B.
