Sabes, isto de ser feliz é à vez. Parece-me, que não há lugar para todos ao mesmo tempo.

Acontece em toda a parte. O que serve a um, não serve ao outro. A satisfação não está indexada a uma taxa como no crédito bancário. É difícil de avaliar, de calibrar, se me permites dizer assim.

Sabes, isto de ser feliz não é um altar cheio de flores, nem um estádio de futebol lotado em dia de dérbi, nem sequer o brilho extravagante de um diamante num copo de champanhe. A felicidade é uma vadia que ora parte, ora regressa sem aviso. Volto à analogia, porque vejo que se comporta como a Bolsa e os Mercados Financeiros, muitas vezes abaixo da linha de água e sem explicação aparente deixa o tempo lento e sobe até ao céu.  Desconfio dos momentos de euforia, professo os segredos do silêncio.

A felicidade tem disso, tu sabes.

Uns dias toca-te a ti, outros a mim, porque não cabemos todos. O que é preciso, é manter a verticalidade, percebes? A verticalidade, a cabeça erguida, os olhos no horizonte. Porra, isto é mesmo assim, uns dias toca-te a ti, outros a mim.

Já me calejei no sobe e desce de ser feliz. Se bem me lembro há sempre retroativos, é inevitável fazer balanços. Conto com isso,  não há lugar para todos ao mesmo tempo.

Tocou-te agora a ti? Fico feliz.

N.B.

LA DOUCHE A RAIZEUX, 1949

 

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