É daquelas frases que não reúne simpatias, nem em inglês. E garanto que até no português do Brasil caí mal pra caramba. É uma expressão que equivale a um petardo em dia de manifestação frente à Assembleia da República. Pode vir o Corpo de Intervenção, porque o diálogo termina ali. A capacidade negocial está esgotada. Normalmente antecedem-lhe perguntas vazias de conteúdo:
– “Vá lá? Vá lá mãe?!”.  Um registo em modo de birra que é de ignorar. Volto à imagem da manifestação e do petardo a que se segue o silêncio e o exílio auto infligido do manifestante, que recolhe ao quarto. Muitas vezes a reclusão faz-se acompanhar de uma de greve de fome.
– “Anda jantar.”– ouve-se. Do outro lado a resposta invariavelmente: – “Não tenho fome!”.
 Escuso-me a outras descrições,  todos conhecemos o filme sempre disponível em qualquer casa, em qualquer parte do globo.
A ironia de tudo isto,  é ninguém gostar da expressão, “Porque sou a tua mãe”, que é como quem diz, é uma ordem. Inevitavelmente todos cedemos ao exercício do poder, nem que seja por exaustão. Educar é tarefa árdua!
Na idade adulta a narrativa é outra. De repente, entregam-nos o livre arbítrio e quando damos conta perdeu a piada. As mães passam a dizer coisas do género:
– “Então vê lá, tu é que sabes!”.
Há quem não escape depois à frase sacramental: – “Não te disse. Eu avisei-te!”.
Certo, certo, é que na maior parte das vezes as mães têm razão. Porquê? Porque são mães.
N.B.
Autora

2 Comments

  1. É um prazer ler o que escreves!
    Quanto ao "Porque sou tua mãe", o respeito mútuo entre pais e filhos é mais justo e pedagógico do que o respeito unilateral exigido por alguns pais aos seus filhos. Não ao autoritarismo e à permissividade, viva à democracia e ao diálogo 🙂
    Beijinho.

  2. Como diz a Liliana é um prazer ler-te…e de facto as tuas palavras são o que muitas de nós Mães gostariam de escrever porque é assim…porque somos Mães!!
    Beijinho

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