Fez-se Outubro tão cedo. O corpo, sobretudo o cérebro, ainda não se registou na estação correspondente. Estas coisas das estações do ano são complexas, mais do que se possa imaginar.
Por isso, não tenho sido assídua no blog, digamos que decidi fazer um balanço. E é importante estas coisas dos balanços.
Parar, olhar, ver, analisar o que se fez, o que falta fazer, onde se quer chegar.
Li e imprimi todos os meus textos para ficar mais próxima, que esta relação digital não me satisfaz. Apeteceu-me mudar algumas coisas, mas resisti ao ímpeto. Cada texto tem um registo, uma data de nascimento, é assim que tem de ficar. E no meio deste balanço sinto uma certa nostalgia como se doesse a acção de virar as páginas (e são muitas).
Escrever tem destas coisas. Liberta-nos e aprisiona-nos à vez.
Lembro-me de uma imagem que explica um pouco o meu sentir: O rio e as margens.
Terminado o Verão, o rio quieto, sumido, pequenino, quase não se vislumbra entre as margens largas. Parece não existir, as margens agigantam-se. Chegado o Inverno, são pequenas para a imensidão das águas. O rio avoluma-se, muitas vezes galga as margens.
Do balanço fica a certeza que me vejo como um rio. Nem sempre sei fluir nas histórias com ritmo, com cor, com luz e clareza, com ironia e criatividade.
Mas gosto muito de navegar por aqui.
N.B.
