Dizia alguém em jeito de lamento – “ O que nasce torto tarde ou nunca se endireita“. Reconheci o ditado, já dele me socorri numa, ou outra justificação.
Somos assim. Perante as adversidades agarramo-nos aos aforismos, aos provérbios, aos anjos e santos e a Deus, na procura de conforto e expiação. Idolatramos Deuses menores e professamos um somatório de desistências, de conformismo, de vaidades e egoísmo, um individualismo cego, exacerbado, próprio de uma sociedade que tende à desumanização.
O Deus das Coisas Tortas é um desses Deuses menores. Conta com inúmeros devotos, o que equivale a dizer uma legião de escravos amedrontados pela crença de que a felicidade não é para todos.
O Deus das Coisas Tortas sabe tornar o ato de autoanálise suportável, exibindo uma sabedoria que dita – “O que nasce torto tarde ou nunca se endireita“.
Os Deuses estão atentos, elaboram estatísticas, engrandecem-se com o défice de coragem, com índices negativos de tentativas, com os poderes acrescidos do ego e a perda acelerada da Essência.
Há quem diga, que o Deus das Coisas Tortas é intelectual e politicamente comprometido. Como dizia Adriano, na obra, As Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar, “ Os mais opacos dos homens também têm os seus clarões (…)”.
Deuses e homens vivem neste jogo de luz e sombra, de pequenos clarões que nos provam que nem tudo nasce torto.
N.B.
