Bastou-me abrir a janela para ter uma certeza, o dia mostra aquilo que se espera, sol. Mas isso é lá fora. Cá dentro, dói-me a paciência. Uma dor fininha, maçadora, fruto da negligência de permitir aos outros opiniões que não peço. Bebo chá, ao invés do habitual café, é maior a chávena. Faz-me falta bebericar tempo.
Quem trabalha em casa, sem chefias, sem supervisão nas tarefas e nos objetivos, não tem a vida facilitada, ao contrário do que os outros pensam. Disciplina, motivação, cumprimento de prazos, obrigações impostas na primeira pessoa, são obra do diabo!
Ser a entidade reguladora e simultaneamente o operacional do, “Tudo e do quase nada“, é muito exigente, às vezes esquizofrénico, tantas vezes incompreendido e sem compensação financeira. Obedece a ordens que vêm de dentro, do mesmo lugar onde guardamos o que mais queremos e mesmo ao lado, do que detestamos com todo o desamor.
Nestes dias luminosos, quando me dói a paciência, fermento raivas e indignações e bebo chá. Posso jurar, que sinto um calor tão envolvente como a claridade que entra pela janela.
Por isso, nada excluo, nem a fatura das opiniões alheias.
O preço? Varia consoante os dias e quase me atrevo a dizer, que até nisto há promoções.
N.B.
