Aprendemos cedo a defender-nos, a armar o escudo, a usar a máscara. Fugimos do que nos pode dececionar e com isso deixamos de viver alegrias raras. E vezes há em que apetece atirar tudo ao ar, viver com a ânsia dos atrasos e a paixão dos começos.
Ao longo da vida, todos sentimos que há momentos em que não se vive, sobrevive-se. A alavanca da mudança surge quando o silêncio se faz ouvir e há pouca luz. Resta fazer uma “puxada” como se diz na gíria dos eletricistas.
Deixei de perguntar, o que queres ser? Passei a perguntar, de que tamanho queres ser? E perante o espanto inicial, percebo que se acendem mais luzes nesta pergunta desmedida. Há profissões por inventar. Algumas têm o embrião do tamanho do que se quer ser.
Questiono-me, também. Demorei muito tempo a responder, convencida de que a resposta estava de mim para fora, presa à pergunta clássica. Um dia olhei-me demoradamente e percebi que a escrita me realiza, sem saber o tamanho que tem em mim.
E tu, de que tamanho queres ser?
N.B.
* imagem pinterest
