Somos donos de mil expressões, às quais atribuímos nomes: cara de bom senso, por exemplo.
Pois, hoje não a encontro. Não sei onde a guardei. Procurei em todas as gavetas, nos armários da casa e nada. Sinto-me intelectualmente comprometida, ou será apenas a certeza de que a sensação é pior que a realidade?!
Olho-me como quem espreita à janela e tenho a tentação de justificar o agora, com a soma dos muitos ontens.
Não me assenta bem este tom paroquial. A falta de bom senso é perdoável, a mediania não. Vou criar mil predicados de curiosidade, fazer flirt ao futuro, tirar proveito da ousadia.
Vou sair à rua com a certeza de que sou um pouco do que as pessoas convocam em mim e hoje o bom senso, talvez não seja prioritário.
Ah, levo o humor no bolso, não o dispenso por nada.
N.B.