Morreu-me uma ilusão, estatelou-se contra a minha cara e atirou-me ao chão. Dói-me o corpo todo, ainda que algumas partes reivindiquem para si, este estado de doer. O adutor da perna esquerda, por exemplo, grita indignado pela maneira desastrosa com que o atirei, a ele e a mim, ao chão.

Morreu-me uma ilusão, ou talvez seja melhor dizer nasceu-me uma desilusão. Nenhuma parte do corpo me serve para superar isto. Nem a cabeça feita de cérebro, nem o coração melindrado de aís e amor aos bocados.

Se tivesse que testemunhar sobre tudo isto, diria que houve um transporte excessivo de expectativas e claro, a carga tombou. Se fosse o oficial que regista a ocorrência, diria que houve negligência a provocar o acidente. Se fosse quem não sou, diria que é o costume. Num abrir e fechar de olhos, o que foi já não é, uns chamam-lhe capricho do destino, outros outra coisa qualquer.

Vai levar o seu tempo. Endurece-se e começa-se por onde se puder.

N.B.

 

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