Um homem preso ao cão pela trela.
Uma trela presa ao cão pelo homem.
Caminham lado a lado, homem,  trela, cão.
O homem fuma ideias umas atrás das outras,
numa avidez que lhe salienta os pequenos músculos da face.
O cão passeia o homem e as suas ideias, impõe o passo, pára, cheira,
marca território e continua raspando as patas traseiras,
apagando o rasto das ideias, que caem no chão.
O cão conhece o dono, melhor que o dono conhece o cão.
A trela protege o cão.
O cão protege o dono do esquecimento,
do vício das ideias, de nada sobrar para o dia seguinte.
A trela resguarda os excessos, o ímpeto do cão, a incúria do dono.
E o chão é o que tudo ampara, porque nesta história como em muitas outras,
o chão recusa-se a ser a surpresa, o final possível.
Ninguém o convence a ser outra coisa, senão a verdade.

N.B.

 

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