A vida não pode ter muitos “quase“, senão não é vida. Passa a ser o que podia ter sido e isso não é vida. Aliás, a utilização indevida e abusiva do “quase” deveria ser punida por lei. Pessoalmente, prefiro a veemência de um Não, à desculpa conformada de um Quase.
Sempre que nos escapa algo, sempre que ficamos do outro lado da meta, paredes meias com o troféu, ouve-se um quase. Dar parte de fracos é que não. “Quase ganhámos“, “Quase nos encontrámos” e é assim que vamos controlando os sintomas de deceção, aplicando uma anestesia local ou geral, consoante a situação.
É verdade, que engolir a vergonha, a derrota, o simples engano, é mais fácil misturando um quase. E não é preciso ter uma sensibilidade exacerbada para perceber isso.
Estou convicta de que a incerteza de um Talvez pode ser mais facilmente ultrapassada, do que a desilusão de um Quase. Digo-o por experiência própria.
Neste momento, imagino o sorriso de quem lê este texto, feliz e contente por encontrar alguma contradição e em jeito de piada, avança:” Se te lembrares de situações do tipo, quase morri, então o quase é um elemento fantástico.” (sorrindo)
Pois é. Não se pode renegar nada na totalidade, ainda assim acrescento algo que ouvi algures: “Caro leitor, quem quase morre ainda está vivo e quem quase vive, já morreu. “
Acontece quase todos os dias, por aí.
N.B.