O que quero de ti?
Que te lembres sempre do início e que saibas sempre a razão do teu ficar.
Que adivinhes o que não digo, que digas o que não sei dizer, que ouses arriscar.
O que quero de ti?
Que conheças o teu lugar, o teu espaço na casa.
Que sejas o calor dos meus invernos e a sombra dos meus verões, quando me entusiasmo e me esqueço que para tudo há finitude.
O que quero de ti?
Que nunca pares de me convencer e que resistas a mudar-me,
para que decidamos juntos, em quantas partes partimos o mundo. Se nos afogamos em chá, em infusões, ou se nos embriagamos com o melhor vinho e digerimos o mundo pedacinho, a pedacinho.
O que quero de nós?
Que na tua e na minha algibeira haja sempre uma solução, uma medida preventiva, um sopro e um beijo para sarar as feridas.
Que usemos o plural sem constrangimentos, o corpo físico e o emocional. A paixão não morre, hiberna. Só precisa de pretextos para despertar.
E por maiores que sejam os sonhos, eu sei e tu sabes, que é importante olhar o sítio onde se põe os pés.
N.B.
