Subo as escadas apressada em direção às galerias do primeiro andar da igreja. Entro na primeira varanda à direita e fico de lado para o altar. Lá em baixo, os bancos cheios, maioritariamente de crianças, de escuteiros que frequentam a catequese. Descanso as mãos no varandim de madeira, enquanto o sacerdote se dirige à comunidade dizendo: ” Somos os que viemos.”

A frase ecoou em mim. Somos os que viemos. Quantas vezes somos apenas os que viemos, os que estamos. E nem sempre basta,  por isso perdemos a alegria do momento, entristecemo-nos pelos que não estão, pelos que não quiseram estar, pelos que não voltam mais.
Perdemos a satisfação em segundos de futuro. Que coisa tão simples é viver o momento, sabendo que os outros que não estão, que somos os que vieram. Não há famílias perfeitas, nem amizades perfeitas, tudo tem a dimensão do Homem.
Somos os que viemos, a frase obrigou-me a refletir.

Trago-a, aqui, como frase inaugural para todos os momentos. Tem o poder aritmético da soma, nunca da subtração, sem tristezas sem moralismos.

Pertence à parte de dentro, o lado que não gostamos de mostrar.

N.B.

** imagem Pinterest

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