A decadência é um bem consumível, que se mistura em tudo o que quiseres. Tem grau como o álcool. Tem sabor e é viciante como o chocolate e o sal.
A decadência veste-se bem e às vezes é apenas trapilho. Sabe de artes circenses, engana enquanto faz rir. Não há portão, fechadura, nem trinco que nos proteja dela. Vem de dentro, envolta no prazer das coisas. É uma espécie de molécula a que alguns dão o nome de erro próprio, e outros de erro alheio.
Não conheço remédio para isto. Talvez resulte do testar o limite das nossas capacidades. Lembro-me de uma frase que me faz sentido: “É para que as criaturas tenham o purgatório neste mundo, e se confundam, vendo que dos seus males resultam tantos bens.” O Grande Livro de S. Cipriano.
Ou, talvez não faça!
N.B.
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