Gosto de vésperas. Gosto do que antecede momentos felizes. Gosto da adrenalina, da ansiedade positiva, do sonhar antes de acontecer.
As vésperas cheiram aos dias de sol, à casa arejada e limpa, à cama vestida de lavado, ao bolo acabado de cozer. As vésperas vestem-se com o froufrou de coisas que se tagarelam dias a fio, depois de acontecer.
Ninguém vinque certezas de véspera. O inesperado é o convidado indesejado desse dia, enquanto o coração trava contas com o relógio.
As vésperas são uma espécie de prólogo de uma história por escrever. O argumento só ganha corpo no dia seguinte.
Às vezes, o que nos vale são mesmo as vésperas e não o dia. Valem-nos as pessoas e as anedotas que lhes ficam associadas em permanência, àquele dia e àquele momento. Não é estranho dizer-se que há vésperas, que suplantam o próprio dia.
Uma coisa é certa, raramente a véspera atrasa o dia. Isso agrada-me e descansa-me, ao mesmo tempo. Tudo o mais será transformado e digerido no coração e nos olhos de quem o viveu.

N.B.

* Imagem Pinterest

 

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