Agora que tanto se falou do vestido de noiva na mais recente boda, em terras de Sua Majestade, retomo o tema para falar do meu vestido de noiva, pasme-se!
Tenho três imagens muito presentes na memória.
A primeira quando o vesti e percebi que era aquele. A segunda contempla o vestido fora de mim, uma imagem quase surreal. Era noite, início da madrugada que antecedia o casamento. O vestido engomado, em casa de uma amiga, descia a Avenida 25 de Abril num manequim de madeira, a cauda amparada por duas mãos e o manequim sustido por outras. Um vulto branco, intrigante, assustador a descer a avenida. O terceiro momento mantém o toque cinéfilo.
O casamento decorreu no Alentejo, no dia mais quente desse ano, numa herdade, uma espécie de clube de caça. Para evitar maiores cansaços hospedámo-nos lá, assim como alguns dos convidados. Não havia ar condicionado. Gentilmente, os responsáveis do alojamento deixaram aberta a janela do quarto para refrescar e trancaram a porta de ligação aos restantes espaços, impedindo as partidas da praxe, por parte dos amigos. O quarto encheu-se de melgas. Faço alergia às picadas.
A terceira imagem do vestido pertence a essa madrugada. Depois de tentarmos exterminar as inúmeras melgas, sem sucesso, percebemos que a porta de acesso à saída estava fechada. Sem hesitações saltámos a janela do quarto, eu ainda vestida de noiva, porque as malas foram entregues sem as chaves.
Perdidos de riso, seguimos a estrada de terra batida. A luz do luar juntava-se ao amanhecer, iluminando a planície. De repente, o espanto de um pastor finta-nos tal qual aparição. O homem acelera o passo de olhos postos no caminho. O vestido iluminado pelo luar parecia outro. O mais belo dos três. Não me fica bem dizer, mas era o mais bonito de todos os vestidos de noiva. Acrescento um pormenor justificativo: tinha sonhos bordados, ainda desconhecidos em mim.
NB
** imagem pinterest
