Marvão, visito-o num passeio de palavras. A vila é uma aldeia que se percorre da entrada ao final do branco casario. Tudo entre muros, dentro de muralhas. A calçada permanece rija de séculos de estar. Marvão é farto de ar puro. Aconselha-se a visita a pé com os pulmões às costas. Não sei se é a muralha que sustenta Marvão, se é Marvão que a altaneia. Aprendi a admirá-lo na sua estrutura geológica, que se afigura fazer parte da cordilheira pirenaica, semelhante a um rabo de lagartixa cortado que ficou para trás a experimentar forças.
Aqui todas as portas e janelas abrem para o lado da inspiração. Está tudo à vista e do alto dos seus quase 900 metros de altitude, a finitude é coisa etérea. À noite ouve-se o silêncio do mundo sob um manto de estrelas. Há uma servidão apaixonada no céu de Marvão.
Quando nasce o sol, entre o azul do teto e as cores imensas da paisagem, é impossível não agradecer este tesouro.
O tempo aqui tem outro ritmo, pode entreter-se com as nuvens que desenham formas diferentes, e depois há a magia da luz sobre os telhados. Não me perdoaria se me esquecesse dos Milhafres, que sobrevoam a encosta e oferecem ao viajante a oportunidade de os ver pelas costas, tal a altitude.
Cresci nesta paisagem, guardo o traço inconfundível, mas não monótono da muralha.
Nada do que digo se esgota. Há que ir e conhecer.
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