Guarda, por favor, esse ar de espanto. Eu sei, desabou uma nuvem sobre mim, pareço um espantalho onde descansam trapos. Pingam-me gotas de chuva do cabelo, das mãos, dos braços, do corpo todo. Não estou apresentável, mas não fiques com ar de parvo. O tempo que a tua surpresa leva a secar, é superior ao tempo em que arrefeço, estremeço e perco o sorriso. Tira o pior de mim, a roupa molhada, os sapatos encharcados e deixa ficar apenas o que combina com o ar de espanto, que não te larga.
Com um dia assim podemos escolher partir do pressuposto certo ou errado. Aviso-te, que não escolho nenhum. Qualquer deles nos leva por caminhos de bom tempo.
Entremos em modo de urgência e é urgente que não arrefeça, que não me engripe. Entendes?! Isto é um clássico.
A tempestade, a chuva, o ruído deste tempo lá fora, é consolo. Paradoxalmente, um consolo.
Tanto que é. Parece-te pouco?
NB
** Fotografia, Whito Zambrotti
