O primeiro texto do ano.
Pensei escrever sobre aquelas frases intemporais, que não fazem bem, nem mal, do género, « Ano Novo, vida nova ». Não o farei.
Escrevo  sobre uma vida nova, com doze anos apenas e autora deste retrato.
Ofereceu-mo no Natal. Reconheci-me imediatamente nos traços e reconheci a fotografia, a mesma que escolhi para o perfil do blogue e da página do facebook.
Soube ouvir os meus olhos, esta menina. Soube desenhar a essência que me singulariza e emocionou-me com o seu talento. Tenho vindo a observar-lhe o gosto e a vocação para o desenho, a firmeza na mão, a leveza nos dedos e sobretudo a luz que a envolve, quando desenha e pinta.
Alegra-me tanto, que tenha esta vocação, não por ser esta, mas porque uma vocação, um dom, um talento, uma habilidade, como lhe queiram chamar, é sempre uma companhia, um preenchimento emocional, artístico, social, que amadurecerá no tempo, na razão e no aperfeiçoamento. Alegra-me reconhecê-lo na menina que presenciou a morte da avó, a minha mãe, num acidente de viação, aos oito anos de idade.
Não a perco de vista e comungamos a mesma oração, não deixar que se esgotem os significados. Sei que não.
A Catarina, assim se chama, é minha sobrinha. Retratou-me assim, com o tom da infância nos olhos. Uma infância que ela, de certa forma, perdeu cedo demais.
N.B.

 

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