Não revelo nada que já não se saiba ou que não se tenha intuído. Neste ano de 2017, a palavra Afectos quase parecia uma anunciação, à qual só há uma resposta, « Faça-se em mim ».
Os media encheram-se de chavões alicerçados e justificados por psicólogos, sociólogos, terapeutas, linguistas, politólogos, pivots e apresentadores de todos os canais televisivos.
Os Afectos foram recorrentemente verbalizados com tanta naturalidade, que infelizmente o mesmo não ocorreu de igual forma, na sua materialização.
Não podemos viver de palavras, sob pena de irresponsabilidade, sob pena de não ousar decidir, de não ousar agir.
Os afectos que se dão a todos e a cada um, são diferentes para cada um deles. E isto, deve ser objecto do nosso cuidado. E não se trata de dar ou de pedir. Não se trata de merecer ou não merecer. O que importa, no final de contas, é que em uma ou outra ocasião na vida, todos o encontremos, o Afecto e a Linguagem dos Afectos, que agarram com força o instante como nos mortíferos incêndios deste ano. Porque são eles, os Afectos,  que alimentam a esperança e consolam a razão, quando esta parece perdida.
Estamos, ainda, demasiado perto de tudo isto, para poder assegurar da força ou da debilidade desta palavra tão carinhosa e que distingue, pela primeira vez, a atitude de um Presidente da República, contagiando de forma alargada outros agentes políticos, da nação.
Acredito que há palavras que ecoam num espaço de tempo incomensurável, porque transparecem uma atitude essencial, porque representam o que é humano e por isso mesmo não serão esquecidas. O seu sentido é duradouro e actuante. Nascem da necessidade e da vida. E na vida, tal como acontece com as pessoas, também se precisa de remédios para as enfermidades. Anos houve, em que a prescrição foi Solidariedade. Este ano, atrevo-me a afirmar que é, Afectos.
Dita, contudo a razão, que estejamos atentos para que não se afadigue a sociedade, dos Afectos. Porque há perigo de que a dádiva, o calor humano e a graça com que os vemos diariamente, nos meios de comunicação social e nas redes sociais, sejam tidos como óbvios e garantidos de acção.
É preciso ter presente o que nos fez encher a boca de Afectos em 2017, não num anseio de que desapareçam, de que não os saibamos alimentar, pelo contrário, para que nisso alcancemos mais futuro, melhor vida.
No limite, que haja muito quem saiba « amar pelos dois ». Afinal, um refrão cheio de amor, de afectos, que levou Portugal à vitória, no Festival da Eurovisão. Inesquecível, não é?!

Com todo o afecto aos meus leitores

N.B.

 

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