Suspeito, que numa outra encantadora vida fui uma música, duas melhor dizendo. Suspeito, que não fui  a única. A imortalidade a existir, também se faz de músicas e de músicos de qualidade sacramental. As palavras podem enganar, a música não.
O que me tranquiliza hoje, quando os Xutos&Pontapés perdem um dos seus, o rosto da banda, o Zé Pedro, é que muitos responderiam como eu, à pergunta pueril, a um daqueles questionários de resposta imediata, “E se fosses uma música dos Xutos?”. A resposta pronta e sem reservas,  À minha maneira, a segunda faixa do álbum 88, dos Xutos&pontapés.
O que me tranquiliza hoje, é compreender que há maneiras de não partir, não deixar de existir, de continuar depois de tudo.
Entristece-me o desaparecimento do guitarrista, do homem, da figura ímpar, que era o Zé Pedro. E sinto um orgulho tremendo por fazer parte de um tempo, em que o rock se fazia assim.
A música nunca lhe recusou nada. A música não recusa nada. É por isso, que a ouço, À minha Maneira.
Obrigada.

N.B.


**( A outra música da minha outra encantadora vida, é a que dá ritmo a esta, a que faz compasso com o meu coração, “Where the streets have no name“,  U2).

 

 

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