Tenho medo do desencanto, da ausência de cor na vida. Tenho medo que me roube o entusiasmo que corre nas veias. Tenho medo que a pele enrugue antes do tempo, que  pare de nascer nos olhos esta vontade de escrever. Tenho medo de não ser a personagem principal dos meus sonhos e que outros os sonhem por mim. Tenho medo de não decidir atempadamente. Mas o que mais temo é perder o medo de ver o que não é, porque adoro pormenores e é neles que se escondem entradas para o indizível.
Na minha cabeça discute-se futuros e o desassossego é-me imprescindível. Quando não ousar voar para longe, planarei sobre o quadrado do quintal. O melhor pedaço de céu está ali.

N.B.

 

* imagem Pinterest

 

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