O que fazemos com tanto engano anunciado de forma mediática? Crimes e alegados crimes, casos jurídicos e casos judiciais? O que fazemos, além da moralidade que a todos acolhe num julgamento na praça pública? Que consequências advêm, no imediato e no futuro, às diferentes gerações que assistem a tudo isto?
Receio que na maioria dos casos, haja urgência em apagar o passado, o ontem, o ainda agora, de que é feito tanto engodo. Que se queira servir um presente em que a fraude, o enriquecimento ilícito, os crimes fiscais ou uma alegada acusação de plágio sejam tidas como situações normais.
Mas as nações e os Homens serão sempre entendidos, analisados, descritos e registados para memória futura pelo que deixam, mais do que pelo que quiseram deixar. Não faltarão instrumentos de rememoração para o atestar.
E o que fazemos com tanto engano?- insisto.
S. Tomás de Aquino, na sua sabedoria, recomendava paciência e capacidade de não desesperar. É um bom princípio, mas não chega. Sobretudo, quando já impera a passividade, a escassez de coragem, o pouco envolvimento cívico e uma elevada abstenção no acto eleitoral.
As assimetrias e os contrastes acentuam-se ao som da saudação, “vamos indo“.  Abrimos a porta às desgraças do mundo a cada telejornal. É assim, que jantamos com as excrescências de Trump e as ameaças de Kim Jong- Un.
O caso Sócrates, o caso BES, as implicações à Portugal Telecom, nomes que nos habituámos a ver como referência, Zenal Bava, Henrique Granadeiro ou os dinossauros da vida autárquica nacional, são tantos os enganos que nos foram feitos. E recentemente, num outro plano, mas não menos surpreendente a alegada acusação de plágio feita a um dos cantores populares, mais acarinhado do país.
Obviamente que tenho que repetir a pergunta. O que fazer a tanto engano?
Não podemos permitir exercícios especulativos. Não podemos mandar suspender a força destas coisas. E  é certo, em qualquer dos casos não há proveito mútuo e estamos sempre do lado dos lesados. É pois justo afirmar, que o engano deve ser sempre cobrado ao que dele se valeu. Mas será suficiente?
Há um agnosticismo militante que cresce, enquanto marinamos numa constante situação de espera. Aparentemente, não há resposta para a questão:
– O que fazer a tanto engano?
Talvez um dia escreva um outro texto, em que a pergunta seja:
– Agora que estamos todos contentes, o que fazemos?

N.B.

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