Como se mede a claridade? Como se quantifica a intensidade da luz solar, ou da falta dela?
O dia amanheceu menos luminoso. Um espectro solar diferente transtornou o azul do céu e no passar das horas não mais recuperou. Lá fora e cá dentro é perceptível. Estarão menos 3/4 de sol? Será qualquer coisa, como menos meia-volta de luz, armazenada para outro dia? Um sunset curto, como uma bica de mau café a satisfazer o hábito?
Valha-nos a noite com o seu depósito de luz feito de estrelas, a lua e os candeeiros que iluminam as ruas, as avenidas, as rotundas.
Sinto que o verão começa a despedir-se. Quero agarrá-lo, fazer-lhe um elogio. Faltam as palavras. Guardo as chamas dos incêndios na íris, o cheiro do fumo no corpo e no cabelo. Não há verão sem alertas para as ondas de calor, a propensão alarmante de incêndios rurais. O verão não é como antes. Há stress, alarme, impotência. A floresta arde.
** No limite do que escrevo não misturo o que arde com o que ilumina.
Acredita, hoje a claridade é outra.
N.B.
