Ando à procura de um bom sinal.
Os dias têm acontecimentos sucessivos que nem sempre entendemos. Tudo é movimento, conversas que saltam de boca em boca.
Dou-me conta de que não há uma direção certa, única. Aprendemos a apreciar o superlativo, o melhor dos melhores. As patinadoras russas, o melhor jogador do mundo, o filme mais premiado dos Óscar, o restaurante com a última Estrela Michelin. Vendem-nos superlativos e faltam-nos com o elogio da normalidade. Coisas de todos nós, do dia a dia, coisas  bem feitas, cumpridas por inteiro sem pesares, nem culpas. Coisas que não se roubam ao tempo, feitas do que faz sentido.

Se me perguntares o que é isso, responderei que é o contrário do que fazemos a correr, do que deixamos para amanhã.
A inteligência, às vezes,  é um infortúnio. E correr atrás de um superlativo qualquer, pode levar-nos a descobrir o vazio e a inutilidade, a sombra que projetamos.
A normalidade é uma habilidade difícil. Exige tempo, exige escolhas nem sempre óbvias, por exemplo, a companhia que não escolhemos, tantas vezes. E não é um erro grosseiro, é a consequência dos superlativos e do seu carácter perfeito e enganador. Ruínas e castelos no mesmo espaço.
Ando à procura de um bom sinal. Talvez seja este, o elogio da normalidade.

Quero partilhá-lo contigo.

N.B.

 

* imagem pinterest.

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