O que aconteceu, há de servir ao que está por vir. Uma evidência, reparei agora. Reparar é um ato demorado como quem faz um trabalho de campo, colhe amostras, cataloga-as, examina-as e reflete sobre o assunto. Na memória fica o que valer a pena.
Hoje janta-se palavras e imagens. Hoje andam poetas à solta.
Partiu há dois anos, a mãe. Mantemos a promessa, ninguém diz em voz alta: Sem a mãe não sei o que fazer. Invento histórias numa urgência de alargar mundos. É libertador.
Faz-me falta a sua opinião. As histórias que escrevo são cestos de vindima. Um vinho a degustar, mãe?
O que não entendemos pode fazer muito mais por nós, do que o entendível. O amor mudou muito pouco ao longo dos séculos. Talvez na forma de se expressar. Sentir que o outro está ali é tudo. Foi assim contigo, mãe?

Hoje andam poetas à solta. Hoje escrevo sobre o início, do fim sei tudo ao pormenor. O amor é a melhor das histórias.
Hoje janta-se palavras. Hoje andam poetas à solta.

N.B.

 

* Os meus pais, ainda namorados.
Autora

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