O céu e a terra têm uma relação desconcertante, complexa. Tal como acontece com as pessoas, quando descobrem que a vida e a morte são a cara da mesma moeda. Uma espécie de sinceridade quotidiana que de tão presente, estranhamente, nos alheamos. Por isso, deixamos para depois palavras, gestos, pequenas coisas que mudariam tudo. Apetece dizer, que não nos foi feita a Revelação. É aí que abrimos o baú das desculpas. Somos incompletos, falhamos, somos assim. E perseguimos a imortalidade que alguns alcançam, de outra forma, perpetuando-se nos livros de História, nos programas escolares, na memória coletiva.
Arrisco outra certeza. É-nos dada a oportunidade de viver, acreditando ou questionando a existência de um outro lugar.
Ir mais além, obriga-nos a embarcar numa nau feita de misticismo. Tomar assento ao acaso, nada ver e ainda assim acreditar. Acreditar que a alma se separa do corpo como o Céu está separado da Terra. Sentir sem ver que a distância nos faz pequenos, imagens do que afinal somos. E aceitar que o invisível é um legado sagrado. É a pequena história do Mundo, reescrita a cada nascimento, lacrada no último instante.
Falo-te disto, para responder à tua pergunta: -Sabes há quantos dias existes?
 Não me apetece fazer a conta, respondes. Insisto, novamente: -Sabes a distância que separa o Céu da Terra? Olha esta imagem e faz as contas.
N.B.

 

**Fotografia de João Carvalho.
Um desafio a que o fotografo se propôs ao longo de um ano, publicando uma fotografia por dia.
Uma fotografia por dia: 10 de Maio de 2016, dia 251.

  Obrigado João Carvalho.

 

Autora

Escreva um comentário