A caminho da escola, a minha filha diz-me que hoje é o Dia do Sorriso. Conversámos sobre isso. Temos sempre 10 a 15 minutos para conversar todas as manhãs. Um percurso a pé com a escolta da Daisy, a nossa cadela. Hoje o tema só podia ser O Sorriso.
Contei-lhe, que por cada sorriso estão envolvidos cerca de 29 músculos, podendo até ser mais. Ficou fascinada.
Mas o que a encantou, foi a história de um cão chamado Custódio. O Custódio sorria.
Isso mesmo, o Custódio estendia os lábios, elevava os cantos da boca e exibia os dentes, num extenso sorriso.
Hoje, suponho que alguém o ensinou, que não era espontâneo, até porque tenho uma vaga ideia dos donos lhe dizerem: ” – Sorri Custódio!”.
Era um cão grande, de pêlo curto, castanho claro, nascido do cruzamento com um Serra da Estrela. Com esta particularidade, perdi-lhe o medo e guardei-o para sempre na memória.
Lado a lado, íamos enumerando os tipos de sorriso. Minto, o entusiasmo dela não me permitia enumerar um que fosse.
” – Por exemplo, mamã: sorriso de satisfação, sorriso forçado, sorriso irónico…”
E, eu já a indicar-lhe a entrada da escola, segredo-lhe ao ouvido que os olhos também sorriem. Um sorriso especial que vem de dentro, da alma.
Dá-me um beijo e acrescenta: “- Pois é mamã! Eu sei!”
Regresso a casa, ao passo da Daisy, permitindo-lhe parar e cheirar onde quisesse. Dou-me conta que sorrio sozinha, por causa do cão Custódio, por toda esta conversa e a pensar nos olhos que sorriem. Vou procurá-los hoje, por aí.
N.B.
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