Chegam morenas as pessoas. Trazem o Verão colado à pele, as pernas relaxadas da espreguiçadeira, da toalha estendida todo o dia no areal, das tardes de esplanada, das noites de diversão. Chegam com os cabelos clareados do sol,  estilo despenteado ao sal, a mastigar um vagar que se desvanece nas horas do dia.
As pessoas morenas são o Spot das férias de Verão. Depois há as outras.
Aquelas em que não se vislumbra a mais leve activação de melanina. Chegam como foram, vestidas no seu tom natural de pele. É costume pensar-se que talvez não tenham estado de férias, que talvez não gostem do mar e do sol, o que parece estranho, afinal fazem tudo certo e parecem leves como um papagaio de papel.
Somos assim, não resistimos a fazer extrapolações, a achar que o nosso mundo é maior que o do outro, ou ao contrário.
Nada disto tem importância, serve-me a mim que observo e escrevo. Serve-me a mim que encontro estas e outras desculpas para chegar onde me lês.
O Verão do calendário dura três meses, mas todos sabemos que não é bem assim. Leva-nos ao engano como os tons de pele. O Verão é mais curto do que os minutos em que finges não me ver. E leva muito tempo a secar na pele. Não sentes?!

N.B.

 

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