Que coisa tão simples deveria ser o amor. Tão simples e capaz de exclamações como esta: “Afinal, dão-se!”. Imagino a vizinha da marquise do 2ºandar, o empregado da leitaria, a Lena do quiosque, a neta da porteira, o Mário dos Músculos, o pintas do Tó-Jô ou a boazona da Guida, a fazer conversa: ” Olha! Afinal, dão-se!”.
Mas quê?! Tinha de ser diferente comigo, contigo.
Consumo o mesmo ar que tu e não visto essa indiferença desbotada. Tenho a certeza, que sentes o mesmo que sinto por ti. Há qualquer coisa que combina, quando estamos no mesmo espaço.
Isto resolve-se!
Não é saudável resistir ao amor. Pergunta ao senhor  Alfredo da farmácia, à Isabel, a cabeleireira, ao neto do senhor Neves, que agora é GNR, à Clarinha que anda tão magrinha. Pergunta-me a mim que já fiz este percurso mais de uma vez. Fui algumas coisas, tentei outras, falhei como todos.
Há tantos motivos para habitarmos o mesmo lugar. Há uma coisa tão simples chamada, amor. Há uma expressão que nos ficava a matar: “Afinal, dão-se!”

N.B.

 

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