Há entre nós uma raça de seres a que chamamos voadores. Não têm asas, nem se distinguem fisicamente por qualquer sinal de predestinação. São homens e mulheres aparentemente comuns. Mas voam. São capazes de alterar a rotação do planeta, de contagiar com entusiasmo continentes e mares, onde quer que haja gente. Semeiam e colhem a própria sementeira. Não descuram os sonhos nem o trabalho. Têm corações aflitos, cujo suor rega de confiança nas horas longas e nos dias intermináveis. Neles doma-se a mente e transcende-se o impossível. Comportam-se como ídolos, porque na verdade o são.
Uns destacam-se no desporto, outros na inovação científica, na cultura, nas letras, nas artes, nas finanças, onde quer que houver um desafio, haverá um voo distintivo. É preciso algo de grandioso para abalar o marasmo dos dias que passam. É preciso assistir ao voo de um corpo, para sentir o impulso de o querer acompanhar. Um país pode ser tanta coisa, quando se deixa levar pelos seus voadores, aqueles que apenas aguardam por uma oportunidade.
Precisamos de aprender que há forças e energias que, quando postas em marcha, não podem ser travadas. Os grandes líderes sabem fazer uso disto, do melhor que temos: a capacidade de nos entusiasmarmos uns aos outros, de nos contagiarmos positivamente. Foi assim que nasceram nações, religiões, momentos históricos. Mas antes, na angustia dos instantes de dúvida e na certeza dos momentos de fé, são os voadores  o néctar dos deuses. Eles fazem do chão próprio céu, que rasgam em pleno voo.
N.B.

**Euro 2016, Portugal Campeão Europeu de Futebol. (10/07/2016)

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