Por ser extraordinário, por ser inesperado, por não se encaixar em nenhuma teoria do amor, guardo um beijo. O único.
Se o analiso ao microscópio, é inevitável catalogá-lo. Sem equívocos chamo-lhe: A Raça de Um Beijo. Todos os outros, os apaixonados, os provocadores, os meigos, os embriagados, os sagrados e os endemoniados, não se lhe igualam.
Gastam-se mais depressa os dias, que a memória fresca deste beijo único.
A Raça afere-se na surpresa do que tens e não sabias ter.
Nada nos fica de graça nesta vida, excepto isto. Porque não se trata de amor, é outra coisa sem nome.
O medo maior é que se repita, que se faça pagar com o que nos muda a vida: coisas de pensar e decidir.
Não é fácil de entender. É muito mais fácil de enlouquecer. Tudo isto podia ser triste, mas não é.
A Raça de um beijo é euforia, não se esquece. Perdura.
N.B.
