A certa altura, a ideia romântica da vida desaparece. Os objectivos tomam conta dos sonhos e a maciez da ilusão dá lugar ao endurecimento das artérias, que faziam circular tudo isto. Parece que chocamos contra o céu que nos protege e no meio deste tremendo acontecimento, paramos à procura dos culpados. Tudo é mais fácil de sentir e aceitar quando há culpados.
Não trago para aqui os suspeitos do costume: Deus, o destino, a má sorte. Apesar de que esses, por exemplo, sabem muita coisa sobre mim.
Volto ao princípio e à ideia romântica da vida, à que se perdeu. Não me assusta!
O que me é difícil perceber, é este saber fazer várias coisas e não saber escolher nenhuma. O que me desconcerta é esta volatilidade.
Mudei mais num ano, do que numa década. Qualquer coisa se partiu, se desprendeu. Há um lado socrático em mim, que me faz dizer, que “Só sei que nada sei”.
Tenho isto como uma qualidade ímpar. Um certo determinismo emocionado da desilusão, já usei este termo por aqui. Não temo chamar mentiroso ao Tempo, nem apontar o dedo a quem vende a Primavera, em pleno Inverno.
Seja como for, devo dizer que isto não passa de repente.

N.B.

 

 

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