Há conversas que começam num fim de tarde e repetem-se pela vida fora. Ontem tive essa sensação.
A minha filha estudava o Sermão do Padre António Vieira(aos Peixes), pregado em S. Luís do Maranhão, no Brasil, em 1654 e tinha dúvidas na interpretação. Discutimos o assunto e a importância do conteúdo do Sermão, que encontra paralelismo na atualidade.  Da conversa ficou-me uma ideia: Ensinamos tanto e aprendemos tão pouco.
É por isso, que os telejornais se engordam de más notícias. É por isso, que os hospitais se enchem de doentes e as prisões rebentam de delinquentes.
Vivemos na sociedade do digital, da informação. Somos bombardeados sobre os  benefícios e malefícios disto e daquilo; o ensino é obrigatório até ao 12º ano; o mundo está à distância de um clique e no entanto…

Só alguns têm o mérito de andar por cá depois do seu desaparecimento. Fazem parte de um pequeno grande grupo, que nunca foi à sua vidinha, como quem finge não ver. São os que ensinam com o próprio  exemplo.
Não a convenci da beleza e importância do Sermão. Mas pareceu-me ver nela a admiração pelos ideais que não envelheceram. Em jeito de brincadeira teatralizei, improvisando um púlpito: o “sal já não salga” e a “terra já não se deixa salgar”. Isto responsabiliza-nos enquanto sociedade e deve obrigar-nos a refletir e agir. Disse-lhe, também, que nomes como o Padre António Vieira, na Literatura e  muitos outros nas Artes e Ciências perpetuam-se no tempo, porque são a guerrilha do saber.

N.B

Autora

Escreva um comentário