Há olhos que consomem muita luz. Há olhos que são a luz dos nossos. E há os que nos deram a vida a estrear. Quando se fecham fica de noite.
Há olhos onde quero morar para sempre. Dos meus, não vou falar, consomem muita luz e sofrem a ilusão de esperar.
Quero lá saber de tudo isto, hei de inventar uma história que fale de outras luzes, dos fósforos, do fogo da lareira, dos very lights, das velas do bolo de aniversário, sei lá.  Mas tenho de começar pelo mais simples, olhar para dentro e ver-te.
Se fechar os olhos fica mais claro, sem distrações. Vejo fios de vida como redes de pesca, cheios de tanta coisa.
Ponho a mesa, pão quentinho, a compota feita com a tua receita, o cheirinho a café. E os meus olhos pedem desculpa e têm a cor da noite curta, mal dormida.
Praguejo: –  O raio disto e daquilo, da vida, de tudo e de nada.
Bebe-se o café e nada é normal, porque não pode ser.
O sol põe-se com uma luz imponente. O sol que se escondeu o dia todo, faz-se valente agora. É segui-lo, é fácil acreditar que amanhece neste entardecer.

N.B

*imagem encontrada na net

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