Há coisas que não sabemos explicar. Estão para lá das palavras. Fracturam o nosso conhecimento do mundo para o bem e para o mal. São uma espécie de activo tóxico na malha dos sentimentos. Por isso, às vezes julgamos ser ilha, quando somos arquipélago. E isto remete-nos para uma posição geográfica quase irreversível.

Falta luz. Falta iluminar os cantos mais escuros da memória e encontrar os nomes que por lá ficaram, reféns do esquecimento. Nomes turvos, nomes que perderam a forma numa escala aumentada pelas emoções.

Uma memória adulterada, sem oportunidade de expressão.

Descobrimos que afinal são episódios contáveis.

Descobrimos que afinal somos terra, arquipélago, ilha, lugar, âncora. Por algum tempo.

N.B

 

* imagem tirada da net
Autora

Escreva um comentário