( dedicado à memória da minha mãe que perdeu a vida num acidente de viação, em abril de 2015  para quem escrevo tantas vezes)

Deixa que a intranquilidade se transforme em música
Deixa dormir o coração, enquanto os olhos ficam abertos
Deixa-te embalar em mim, na minha memória
Deixa o passado e as suas vozes sossegarem no lugar a que pertencem
Deixa-te estar, não te demores no outrora. A vida é aqui!
Deixa-te ficar no sofá como se fosse domingo,
e que cresça a angústia miudinha da nova semana que se aproxima.

Meço cada palavra, sinto-lhe o pulso, a respiração.
Certifico-me de que estão vivas, ao contrário de ti.
Guardo a tua voz no cérebro,
o sorriso e o olhar no coração.
E o céu já não é azul,
tem tons laranja fogo, porque nada é igual.
E ninguém responde quando chamo por ti.
O eco transforma-se nesta espécie de música, que é uma espécie de mágoa,
que é uma espécie de intranquilidade que é toda a tua ausência
Em mim!

N.B.

 

*imagem tirada da net

 

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