Subia à árvore para observar o horizonte, para ver o pôr do sol.
Subia à árvore para me sentir acompanhada, para me alongar naqueles braços. Trepava por ela acima para namorar o silêncio, imaginar outros lugares além do que a vista alcança.
Contava com ela para a vida toda.
Um dia, desapareceu a árvore, ficou o lugar. Foi cortada a minha árvore, sem que pudesse sequer implorar.
Paralisei, num sentimento de orfandade maior que o mundo.
Já não subo à árvore.
O sol continua a pôr-se todos os dias. Olho em volta, descubro outra perspectiva a partir daquele espaço vazio.
Ás vezes, imagino-me um tronco de escalada, um pouso de sossego, um ponto de miragem, iluminada pelo pôr do sol, uma árvore, eu!
A maior parte do tempo, não. A maior parte do tempo fico ali, só a olhar.
N.B.
* imagem tirada da net
