Encomendo sonhos todos os dias, antes de dormir.
Encomendo-os a mim própria, o que me dificulta proceder à reclamação.
Sonho mais facilmente de olhos abertos, do que ao contrário. De olhos abertos sonho tudo aquilo que quero, memórias passadas e futuras. De olhos fechados não controlo o sonhar.
Esforço-me para olhar para dentro dos sonhos a cada noite. Chego a pensar que o pedido prévio que faço, não é atendido, para que possa simplesmente dormir. É que nesta coisa das vontades, o corpo é muitas vezes soberano. Os olhos, por exemplo, são uns delatores. A boca dá nome às dores que queremos calar. Resistimos, quando de repente se solta o choro fácil. Há toda uma denúncia do corpo ao expor dor, tristeza, prazer, alegria, entusiasmo, inércia. Tudo o que se possa imaginar na base de dados de um ser humano.
Sonhos por encomenda, lamentavelmente, não existem.
Sou teimosa e insisto, não desisto. Espero pacientemente pelos sonhos, como quem conta os dias para voltar a casa.
