Se calhar o mundo parou à minha volta e não dei por isso.
Apenas ouço o som dos meus passos. Um som certo, ritmado, forte como quem pisa zangado o chão, onde caiu desamparado. Sigo o caminho sem olhar em frente, os olhos presos ao chão que me devolve o som dos meus passos. Ouço-me em cada movimento.
E há um desassossego quando olho para trás. E há mil pegadas, a cada memória.
Depois, deixo de ouvir os meus passos. Na minha imaginação soa uma voz :” Somos recordados, entendidos, amados, reconhecidos, perpetuados no exemplo que vamos deixando, mais do que qualquer outra coisa.”
Descubro sonhos semeados no chão. Segui -los torna mais fácil carregar as malas da saudade.
Ouço os meus passos. Ajeito como posso as malas carregadas de coragem. Só não ouço a minha voz. Não me saí da garganta.
Olho em frente e vejo Catedrais no espaço.
N.B.
15 de Maio, 2015.
